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PENSE COM O TININHO


Nós deveríamos ser proibidos de deixar de escrever, mas uma série de questões nos faz deixar de lado essa prática, não sei bem porque resolvi rever o empoeirado e abandonado blog “Pense com o Tininho” e me assustei ao ver que por mais de um ano nenhum texto havia sido publicado. Na expectativa de que possa, a partir de agora, abastecê-lo mais, com uma freqüência maior, estou de volta caros amigos, convidando vocês a debaterem vários assuntos comigo, forte abraço a todos.

 

 

GREVE NO MEIO MILITAR

 

            A greve da polícia militar na Bahia vem ocupando um grande espaço nos últimos dias em todos os meios de comunicação e como vivemos hoje em um mundo onde a informação está cada vez menos qualificada, vi e ouvi opiniões colocadas como verdades, de pessoas ditas importantes, mas que não conhecem os pormenores de nosso “contrato social”, de nossa tão alardeada “Constituição”.

            Primeiro gostaria de deixar bem claro aqui que sou sempre a favor de qualquer ação que reivindique diretos básicos de qualquer cidadão, em segundo lugar, acredito também que o salário de um policial militar é muito baixo frente aos riscos que ele corre e a responsabilidade que carrega, essa questão inclusive abre caminho para uma outra discussão que poderemos abranger posteriormente sobre a corrupção da policia. Mas, continuando, mesmo frente a essas questões, a greve em qualquer setor militar é expressamente proibida por lei e para ser sincero com vocês, eu apoio e concordo com essa determinação.

            Mas, porque o tão defendido e alardeado “direito a greve” de todos os cidadãos não é bem de “todos” os cidadãos? Devemos lembrar que todo o setor militar tem a concessão do uso de armas, mais do que isso, acesso a elas sem restrições, além disso os militares são responsáveis pela segurança nacional, a polícia militar é responsável pela ordem e segurança dos municípios, a greve desses setores podem acarretar situações de desordem e total insegurança, como podemos ver no caso atual no Estado da Bahia onde os homicídios duplicaram em relação ao mesmo período do ano passado, centenas de carros roubados e desordem em várias regiões de Salvador, mesmo com a estimativa de que apenas 30% do efetivo esteja de braços cruzados.

            Sou a favor de movimentos que chamem a atenção dos governantes para a pauperização do meio militar, em todas as esferas, mas concordo que a greve é um instrumento que deve ser proibido a esse meio. E ai, você concorda ou discorda? Vamos debater.

 

         



Escrito por tininho10 às 09h28
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LA MUERTE DEL PINGUINO

            Sempre fui um curioso e ainda pretendo um dia estudar mais profundamente a história e a política argentina, quem se depara com um pouco dela já percebe quão rica e importante é, só a figura mítica de Juan Domingo Perón já traz a tona boa parte da história recente desse país, pra mim é curioso, e ainda um mistério, como Perón conseguiu ser inspiração para as mais diversas linhas políticas e ideológicas da argentina na segunda metade do séc XX e inicio do XXI, a popularidade dessa figura é clara e notória, mas não acredito que apenas esse quesito seja responsável por essa situação, partidos totalmente opostos sempre buscam na figura de Perón justificativas para suas linha ideológicas, seria o mesmo que PC do B e DEM se utilizassem de uma mesma figura política para determinar seus caminhos, no mínimo estranho. Também é alvo de minha curiosidade os controversos períodos de ditaduras militares que a Argentina passou, o primeiro de 1966 a 1973 e o segundo, mais duro e sangrento, de 1976 a 1983, a efervescência política durante esse período chega a ser apaixonante, um dia quando tiver tempo o bastante para ler e estudar tudo aquilo que tenho vontade, a história política argentina será uma delas.

            Mas, não é somente a política argentina que me chama a atenção para esse país, desde sempre li e ouvi que a população porteña é um exemplo no que se diz respeito à cultura, vorazes leitores e dedicados a educação acadêmica, enquanto um brasileiro lê em média 3,5 livros por ano, um argentino lê 7,5 livros ano. Isso reflete inclusive toda essa efervescência política na Argentina, cidadãos mais preparados conseguem detectar problemas de maneira mais fácil e protestam mais por seus direitos, os panelaços no início dessa década, a queda do ex-presidente De La Rua, as freqüentes greves nos mais diversos setores, demonstram que a população argentina é mais preparada para enfrentar problemas políticos. Além do grande potencial turístico, seu clima europeu, a Patagônia e sua fauna e flora exóticas, resumindo, a Argentina é um país admirável, tem apenas um grande problema, esta repleta de argentinos.

            Ontem de manhã fui surpreendido por uma notícia em clima de Plantão da Globo no rádio, a morte do ex-presidente e, até ontem, deputado Nestor Kirshner, já sabia que ele vinha passando por uma série de problemas envolvendo sua saúde, não só coronários, mas de outras ordens também, ainda esse ano ele passou por uma cirurgia intestinal delicada, no entanto, sua morte figura e pode ser entendida como repentina.

            Nestor Kirshner é a representação clara de como a política argentina pode ser misteriosa, surgiu no cenário nacional em 2003 como candidato a presidência da república, tinha um passado político forte na sua região, a sul da Argentina, principalmente na província de Santa Cruz, mas não era sequer conhecido nacionalmente, em um dos vários momentos conturbados que o país passava apareceu como opção em uma eleição onde muitos acreditavam em uma vitória certa de Carlos Menem, outra figura intrigante da política argentina. O certo é que Menem protagonizou uma retirada humilhante antes mesmo do final das eleições em segundo turno prevendo uma derrota acachapante para Kirchner. Eleito presidente conseguiu estabilizar a economia argentina, decretou moratória a divida externa, depois negociou essa divida pagando 20% dela e recebendo a quitação da mesma, conseguiu avanços na política social e acabou tendo seu mandato tão aprovado que conseguiu eleger sua esposa, com um passado mais desconhecido que o dele mesmo, como presidente da Argentina.

            Cristina Kirshner é apontada até hoje pela oposição como uma marionete do stabishment de seu marido, nos últimos tempos vem tomando decisões extremamente criticadas por setores da população argentina, primeiro o setor agrário protagonizou uma greve nacional pela política agrícola adotada pela presidente, no qual desvalorizava o produto interno, segundo o setor citado, a classe média vem também cada vez mais se posicionando contrário ao governo acusando-o de ações contrárias a liberdade de imprensa e de manipulação de dados econômicos e sociais.

            Finalizando, El Pinguino apelido de Nestor Kirshner, deixa um pequeno, mas profundo legado político e uma herdeira direta de seu modelo de governar, amado e odiado, fim que parece ser endêmico a todos os políticos importantes da argentina, sua morte lança o país em um momento de indecisões, como Cristina atuará a partir de agora? O quanto Nestor agia e era responsável pelo governo nacional? Que rumos a política argentina tomará após sua morte? Ficarei atento e me esforçando para compreender e entender um pouco mais dessa tão misteriosa e ao mesmo tempo apaixonante política de nossos hermanos argentinos.

 


 




Escrito por tininho10 às 13h32
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TROPAS DE ELITE

Há três semanas fiz algo inédito, sai de São Bartolomeu em uma sexta-feira, após uma semana de trabalho e fui a Poços de Caldas acompanhar uma estréia no cinema, para muitos uma loucura, sexta-feira, inicio de final de semana, andar sessenta quilômetros para ver um filme? Mas a curiosidade e a expectativa superaram qualquer “loucura”, o filme, Tropa de Elite 2, durante a semana já havia lido e ouvido mil elogios a película que antes da estréia nacional havia contado com apenas uma sessão de pré-estréia, devido a ampla ação pirata que sofreu o Tropa de Elite 1.

Mas o porquê de um texto só agora? Já se vão três semanas desde que vi o filme em primeira mão e só agora comentá-lo parece esquisito, mas na verdade é proposital e veremos mais tarde o porque.

Em primeiro lugar gostaria de comentar essa preocupação do produtor – diretor – distribuidor, José Padilla em relação à pirataria, nada mais justa depois do que se tornou o Tropa de Elite 1, um fenômeno de espectadores, em grande parte pela ação indiscriminada dos piratas, eu mesmo vi o Tropa de Elite 1 pela primeira vez através de uma cópia pirata, o filme sequer havia saído de cartaz nos cinemas. Agora, interessante foi todo o aparato armado para que o Tropa 2 não vazasse, cópia digital em cofre de banco, películas protegidas pelo exército, confesso que achei um exagero, antes de assistir ao filme, não conseguia ver a necessidade de tudo isso já que uma semana depois da estréia tinha certeza que estaria sendo oferecido na caixinha secreta do Boi da Lori ou nas feiras livres, mas não é a toa que existe o tão repetido ditado “...gato escaldado tem medo de água fria...”, essa foi a minha primeira impressão da situação.

Fui para Poços, cheio de expectativas e não me decepcionei, não ficarei aqui dando detalhes do filme, porque acredito que nem todos ainda assistiram, mas durante as mais de duas horas do longa o que vi foi um retrato muito bem feito do que todos acreditam conhecer, mas na verdade poucos entendem, o as vezes tão falado, mas pouco compreendido, “sistema”. Quantas vezes em uma conversa, debate, você se deparou com uma situação onde a única saída era culpar o “sistema”, interessante é que apesar de ser culpado por várias situações nunca vejo alguém se arriscar a explicá-lo, se é que isso é possível, na verdade não acredito que exista um sistema integrado, existem sistemas que podem até se intercalar. O Tropa de Elite 2 é um filme mais bem acabado em relação ao primeiro, parece ter sido feito com mais cuidado, com certeza com mais verba também, mas o interessante é que apesar de ligado ao Tropa 1 ele tem vida própria, não é dependente do primeiro, é possível assisti-lo sem ter visto o Tropa 1 tranquilamente. José Padilla demonstra mais uma vez sua preocupação em mostrar para o público o submundo da política, polícia e marginalidade carioca e mais uma vez faz isso com brilhantismo, o cara pode ser chamado de tudo, fascista, oportunista, intelectual de fachada, mas uma coisa ninguém pode negar, ele é muito bom no que faz.

Ouvi muita gente criticando o primeiro filme, dizendo que ele teria feito apologia a uma maneira errada de se combater a criminalidade, na bala, eu não o vejo dessa forma, acredito que tanto o primeiro como o segundo filme são tentativas de demonstrar ao público a realidade, o que verdadeiramente se passa em uma cidade que será, daqui seis anos, sede dos Jogos Olímpicos e, daqui quatro anos, receberá a final da Copa do Mundo de futebol, o que aparece muitas vezes é que o Rio de Janeiro “continua lindo”, sem problemas maiores, principalmente quando se fala nesses dois grandiosos eventos. Ontem o ex-primeiro ministro inglês Tony Blair ministrou uma palestra em um evento aqui no Brasil, recebeu por ela míseros cento e cinqüenta mil dólares o equivalente aproximadamente a duzentos e cinqüenta mil reais, tudo isso para falar o que estamos cansados de saber sobre planejamento estratégico, condução de projetos, organização e trabalho em grandes eventos, na platéia, prefeito e governador do Rio de Janeiro, após o evento ambos deram entrevista juntos, pintaram um quadro onde o Rio parecia ser Londres, o pior disso é que muita gente acreditou.

Muitos me perguntaram: “e aí, qual é o melhor Tropa de Elite, o primeiro ou o segundo”? Dei a mesma resposta a todos, se você gosta de violência e palavrões, o primeiro é melhor, se você gosta de ser instigado a pensar, o melhor é o segundo, não que o primeiro seja só palavrões e violência, mas para quem não conseguiu entender a mensagem no primeiro filme ele acaba se resumindo a isso.

Pra finalizar, o porque do texto só agora. O Tropa de Elite 2 apresenta a todos o “Sistema” e demonstra o quanto somos vítimas dele, o que é mais interessante é que ele próprio, o filme, foi vítima desse “sistema”, só fui entender toda aquela proteção antes da estréia e a data da mesma após vê-lo, uma estréia antes das eleições significaria um mal pra muitos políticos, acredito meus amigos que José Padilla e o Tropa de Elite 2 se tornaram vítimas desse “sistema” que eles apresentam, pena, mas pra quem consegue ver e compreender algumas coisas nas entrelinhas, não existe propaganda melhor que a que te coloca como vítima, mesmo que não seja de maneira escancarada.

Domingo teremos segundo turno, não seja vítima do “sistema”, não existe voto certo ou errado, mas sim, voto consciente, espero que você esteja assim, abraços.

 




Escrito por tininho10 às 11h14
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PESQUISAS PARA TODOS OS GOSTOS

            Trabalho no ramo de prestação de serviços, todo dia tenho contato com clientes do mais variado tipo, dos educados e compreensivos até os chatos e ignorantes. No entanto, todos tem algo em comum, o fato de ser “clientes”, e como todos sabem, o cliente tem sempre a razão, claro que segundo a lógica comercial, capitalista, eu não concordo com essa visão, mas estou inserido nessa lógica e concordando ou não, tenho que me submeter.

            A questão que quero propor, a partir dessa introdução, é sobre as pesquisas, ontem tivemos a divulgação de uma delas, feita pelo instituto Vox Populi, segundo essa pesquisa a candidata Dilma teria uma vantagem de 14% em relação ao candidato Serra, interessante é vermos que há uma semana o CNT/Sensus, outro instituto de pesquisas apontou empate técnico entre os candidatos, estranho não acham?

            Eu sou um crítico dessas pesquisas, seja qual for o instituto, faz muito tempos, e tenho minha posição cada vez mais balizada pelos constantes erros desses nas últimas eleições. Há quatro anos, nas eleições majoritárias de 2006, institutos de pesquisa garantiam a vitória em primeiro turno do candidato Paulo Souto (DEM), para o cargo de governador na Bahia, votos apurados, SURPRESA, Jaques Wagner (PT), candidato que aparecia com pouquíssimas chances de chegar ao segundo turno, foi eleito governador da Bahia, no primeiro turno. No Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), liderava as pesquisas, a disputa ficava entre Olívio Dutra (PT), 2º lugar nas pesquisas, e Yeda Crusius (PSDB), 3º lugar nas pesquisas, para ver quem disputaria o segundo turno com Rigotto, após a apuração dos votos, SURPRESA, Yeda quase foi eleita no primeiro turno, Olívio Dutra conseguiu ir para segundo turno enfrentando a candidata do PSDB e Germano Rigotto, líder em todas as pesquisa, acabou derrotado. Esse ano também tivemos vários escorregões, nenhum instituto previu o sucesso de Marina Silva (PV), nas urnas. O próprio Vox Populi mesmo durante a apuração, afirmou que Dilma seria eleita no primeiro turno, no Paraná indicavam uma disputa acirrada entre Beto Richa (PSDB), e Osmar Dias (PDT), apuração terminada, SURPRESA, Richa eleito no primeiro turno, sem contar vários outros casos.

            É bom deixar claro que a estatística é uma ciência que deveria ser a base para esses institutos de pesquisa, sei que ela funciona se utilizada da maneira correta e com fundamentação científica, posso não compreende-la, e na verdade nem me esforço para isso, minha área é humanas, qualquer coisa envolvendo números e equações me dão calafrios, no entanto, o que gostaria de dizer é que, em uma sociedade onde os interesses econômicos estão acima de qualquer outros, acima inclusive do compromisso cientifico, seria correto acreditar nessas pesquisas?

            Nós sabemos o quanto uma pesquisa pode influenciar na decisão do eleitorado nacional, muito mais que qualquer debate, entrevista ou do modorrento horário eleitoral, me cansei de ouvir o funesto termo “perder o voto”, como se o voto estivesse ligado a uma premiação, se eu votar em um candidato que está atrás nas pesquisas posso perder meu voto caso ele não seja eleito, esse pensamento está diretamente ligado a uma visão errada sobre política e processo democrático, mas infelizmente existe. Muita gente vai pra sua zona eleitoral participar da eleição como se estivesse indo votar pra uma eliminação no Big Brother ou A Fazenda. A Dilma tem 14% na frente, se votar no Serra vou perder meu voto, ou, o Serra cresceu muito, ta quase empatado, se eu votar na Dilma e o Serra ganhar, vou perder meu voto. Essas conclusões se repetem muito mais do que imaginamos, e quem controla tudo isso? Os institutos de pesquisa, agora, você já se preocupou em ver quais instituições “encomendam” as pesquisas? Por que será que quando instituições ligadas ou favoráveis ao governo “encomendam” pesquisas o nome de Dilma dispara, e quando instituições ligadas a Serra “encomendam” pesquisa as coisas ficam quase empatadas? A última pesquisa do Vox Populi foi encomendada pela Band, apontada como favorável a eleição de Dilma, o próprio Vox Populi tem relações diretas com o governo, já a pesquisa CNT/Sensus que apontou Serra e Dilma quase empatados foi encomendada pela Confederação Nacional de Transportes, presidida por Clésio Andrade, político filiado ao DEM e ex vice governador de Aécio Neves em seu primeiro mandato, alguém se atentou a esses detalhes?

            Pra encerrar, meus caros, não sejamos INOCENTES, não vamos aceitar tudo de qualquer maneira, leiam, analisem, nem tudo que parece ser, é. Pois lembrem-se o cliente tem sempre a razão, mesmo que nessa razão não transpareça a verdade.

 Tininho



Escrito por tininho10 às 11h05
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DEBATE, MAIS DO MESMO !!!

Pra começar queria agradecer a todos que participaram comentando o texto de volta a esse blog e espero conseguir manter uma regularidade quase que diária a partir de agora.

Pois bem, quem me conhece sabe que gosto bastante de esportes, mesmo que meu físico não demonstre tal gosto. O futebol faz parte de minha vida e história, acompanho e curto diversas modalidades esportivas, basquete, vôlei, futsal e de alguns meses para cá, futebol americano. É isso mesmo, futebol americano, a primeira vista parece ser um esporte violento e de difícil compreensão, depois de pouco tempo você acaba vendo que é um esporte de fácil entendimento e constata que é um esporte violento, mesmo assim, envolve uma disciplina tática ainda maior em relação ao futebol (soccer), e muita estratégia, acabei me apaixonando. Desde as finais de conferência da temporada passada que ocorreram em fevereiro desse ano venho acompanhando e gostando cada vez mais. Mas, o que o meu recente interesse por futebol americano tem haver com vocês e uma propensa discussão? Simples, o futebol americano é transmitido aos domingos e as segundas a noite, ontem foi dia de “sunday night football”, o domingo à noite, que é depressivo por natureza, para mim, se tornou um pouco melhor por poder acompanhar sempre uma partida de futebol americano, mas alguém ainda lendo esse texto deve se perguntar, e eu com isso? Vamos lá, é que nos últimos dois domingos tivemos “debates” reunindo os candidatos a presidência da república, um na Rede Bandeirantes e ontem na Rede TV. O que me chamou a atenção foi a baixa audiência em ambas as datas, nos dois casos não passaram de 4 pontos segundo o IBOPE (que pra mim não é nem um pouco confiável), em uma comparação simples o Pânico na TV, que vai ao ar normalmente no horário em que se deu o debate ontem, faz uma média de 9 pontos, mais que o dobro que o debate conseguiu marcar ontem. E aqui começa propriamente as questões que gostaria de analisar.

Em primeiro lugar, essa baixa audiência. É claro que a força das emissoras de TV conta muito, com certeza o último debate entre os candidatos a presidência que se dará na poderosa Rede Globo terá uma audiência melhor, mas devemos levar em conta também outros aspectos. Nós vivemos em uma sociedade onde ser politizado é raridade e aquele que procura ser acaba sendo apontado como alguém diferente, acredito que grande parte do eleitorado nacional já não se lembra em quem votou para os cargos de senador e deputados, a não ser aqueles que votaram no palhaço Tiririca que personificou o que tem se tornado a política nacional. Se não se tem interesse na política, para que assistir um debate? Além disso, esses programas que são denominados de debate podem apresentar de tudo, menos um verdadeiro debate. No caso de ontem, o formato utilizado pela Rede TV até me agradou, muito mais do que os utilizados por Band e Globo, a participação de jornalistas com perguntas mais pontuais e diretas, mais tempo para os candidatos formularem perguntas e respostas, mesmo assim, acho que o excesso de regras acaba engessando o programa, sei que essas regras são necessárias para a organização, mas bem que eu gostaria de ver um dia um programa bem mais solto, mais livre, assim quem sabe os candidatos também não se libertariam dessas personagens criadas por seus marketeiros.

Outro ponto é justamente a verdade e a clareza do que se é “debatido” nesses programas. Números, dados, obras, são jogados sem nenhuma fonte ou base clara, acusações mútuas são feitas com o cuidado de não ser muito diretas para que a imagem própria não possa ser arranhada. Ou seja, quem acredita que Dilma e Serra são na vida real aquilo que vem se mostrado nesse período eleitoral é no mínimo inocente.

Além de tudo isso, os candidatos e seu batalhão de marketeiros tem a habilidade enorme de mudar de idéias e de interesses de acordo com o que o eleitorado se manifesta. O viés religioso que tomou esse segundo turno fez com que a candidata Dilma, por incrível que pareça, agradecesse a Deus pelos seus votos conseguidos no primeiro turno, vejam só vocês. O Serra vem se apresentando como um religioso fervoroso e defensor da moral e ética cristã. Se o eleitorado se mostrasse, por exemplo, com tendências mais céticas, nossos candidatos se mostrariam assim tão religiosos? Essas são as verdadeiras faces de Dilma e Serra? Ontem a candidata do PT chegou a praticar o sacrilégio de citar como fonte, para uma acusação ao candidato Serra, a revista Veja, tenho certeza que muitos partidários da candidata ficaram apavorados ao ver Dilma dar crédito a uma revista que, pra muitos que compõem a base aliada do PT, é uma bíblia do pensamento reacionário ultradireitista, fascista, etc. Serra em alguns momentos me fez lembrar José Genuíno defendendo Delúbio Soares no episodio mensalão, defendeu o Paulo Preto, ou melhor, Paulo de Souza, dizendo que chamá-lo de Paulo Preto era um ato racista, politicamente incorreto. Pra mim, politicamente incorreto é esse Paulo Preto levar uma grana lascada e permanecer no poder público.

Enfim, acredito que se for pra se repetir os episódios que vem acontecendo nesses “debates”, se for pra ser mais do mesmo, melhor que não se tenha. O que vem acontecendo é mera repetição, chatice. Não informa, não esclarece, não mostra nada de novo. Só personagens, “frankesteins” criados por marketeiros. Chega, o debate entre candidatos a presidência está se tornando programa repetido, mais repetido que Chaves, você assiste já sabendo o que vai acontecer, só que no Chaves você ri e se diverte, nesses debates não.

Ainda bem que descobri o futebol americano, salvou minha noite de domingo, Washington Redskins x Indianápolis Colts, foi muito mais emocionante e interessante que Dilma x Serra.

 Tininho



Escrito por tininho10 às 12h56
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A VOLTA

Bem meus amigos, após um longo e tenebroso inverno, sem postar absolutamente nada aqui nesse blog, volto agora para tentar mais uma vez escrever constantemente. Sei que essa não é a primeira vez que volto com esse pensamento mas o mal desse século, o tempo, me afasta e acabo abandonando o blog mais uma vez. No entanto, a tentativa agora será ainda maior, podem ter certeza disso, agradeço a vocês que ainda se interessam por algo que escrevo aqui. Forte abraço a todos e peço a vocês, por favor, pensem com o tininho!!!!!!



Escrito por tininho10 às 10h13
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A Religião e a Política

Quando era criança, e me metia nas conversas de “gente grande” nem que fosse só para ouvir, acabava em alguns momentos ouvindo a seguinte frase: “religião e política não se misturam”, ou “política e religião não se podem misturar”. Cresci com esse conceito na cabeça, já adulto comecei a matutar mais profundamente sobre a questão e acabei percebendo que, na verdade, tanto política como religião são construídas sobre perspectivas semelhantes, vamos a elas.

A política se dá em um contexto de luta pelo poder, pelo controle do Estado, que é uma força invisível constituída pela sociedade dentro do contrato social estabelecido entre os cidadãos, trocando em miúdos, em um determinado momento no passado a sociedade percebeu que a organização era necessária e resolveu então ceder poderes a alguns específicos cidadãos que não só decidiriam os rumos tomados pelo grupo, como também teriam um poder sobre os demais. O nascimento do Estado se dá nesse contexto, o contrato social estabelecido entre cidadãos e os líderes desse Estado também, a disputa pelo poder, pela liderança, pelo controle do Estado, se tornam prática, nascia assim à política, ideologias contrastantes disputando o tão sonhado poder estatal.

Já a religião, ao contrário da política, não tem origem no mundo material, mas sim no mundo sobrenatural. A partir de idéias e sentimentos metafísicos os indivíduos alimentam uma fé em determinadas idéias, que vão desde deuses naturais, mundos paralelos, ou, a mais defendida pelo mundo, de um deus criador e dominador de toda a existência. A humanização dessa fé acabou criando as chamadas religiões, como o humano tem uma necessidade inerente do transcendente (até rimou), a fé no mundo metafísico faz parte da vida da maioria da população mundial, o que denota um grande poder a quem se dispusesse, ou disputasse, a liderança de qualquer linha religiosa existente. Tomando como exemplo o cristianismo, a maior religião monoteísta existente, a liderança de uma vertente religiosa como essa denota um poder mundial, a fé cristã acabou sendo moldada pelo homem, assim como a fé hindu também foi modelada pelo homem, ou a fé judaica, as religiões são representações humanas de diversas doutrinas, que determinam suas lideranças e que possuem poder sobre aqueles que escolhem seguir uma determinada doutrina, parece um pouco complicado, mas nem é tanto assim, para resumir, a política está para o poder estatal assim como a religião está para o poder eclesiástico, as ideologias políticas estão para política assim como as doutrinas religiosas estão para religião. De alguma forma o poder se encontra na construção de tudo isso.

Mas, por que tratar tão especificamente disso nesse momento? Simples, porque, como disse no início, mesmo sendo muito parecidas e tendo uma busca final comum, essa ligação entre religião e política nunca foi bem aceita, sequer reconhecida, no entanto, vivenciamos nesse momento, nas eleições atuais, o reconhecimento de que religião e política não só são parecidas como estão atreladas. Toda o debate nesse segundo turno se deu, até agora, em torno de temas que envolvem diretamente a religião, em especial a cristã. Lideranças religiosas vem a público mais engajadas que os próprios políticos para defender um determinado candidato ou candidata, parafraseando o atual presidente, nunca na história desse país, se vivenciou no período democrático uma influência tão direta e aberta da religião no meio político.

É bom lembrar que a religião também é representativa, ou seja, constitui um determinado setor da sociedade. Assim como os ruralistas, ambientalistas, empresariado, os religiosos também possuem seus pensamentos e suas visões a respeito de que rumo à política em nosso país deve tomar, a grande questão é que antes o setor religioso não participava tão diretamente e abertamente do jogo político como o setor ruralista, ambientalista, etc.

Finalizando, minha análise sobre tudo isso remete ao início do texto, cresci ouvindo, “política e religião não se misturam”, e não se misturavam abertamente mesmo, vendo o cenário atual da disputa eleitoral, penso que além da representação de um setor específico da sociedade, esses líderes que surgiram para “determinar” os votos de seus seguidores também tem interesses políticos e de poder, e quando isso acontece, a utilização do rebanho para bem próprio, só me resta repudiar tal ato.

Espero que os fiéis cristãos, judeus, muçulmanos e de qualquer outra fé, tenham consciência de defender seus preceitos e idéias, defendendo aquilo que pensam e seguem, depois desse teatro de horrores que se tornou essa eleição, sou levado até a concordar, nem que seja um pouco, com a frase “política e religião não se misturam”.

 

Tininho



Escrito por tininho10 às 10h12
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A NECESSIDADE DE SER ALGO

         Bem amigos!!!! No estilo Galvão Bueno, continuo aqui a debater com vocês o ser humano, o homem. Tenho nos últimos tempos me dedicado a observar esse ser tão interessante e ao mesmo tempo tão difícil de entender, que me perdoem os psicólogos e psiquiatras, mas em determinados momentos tendo a acreditar que ninguém é capaz de compreender um outro ser, principalmente por ver que muitas vezes mal nos compreendemos.

         Hoje trago a tona uma discussão sobre as facetas humanas, as personas, algo que em alguns momentos chega a ser cômico, a interessante necessidade do ser, de ser, meio confuso né? Mas é isso mesmo, nós temos uma necessidade de ser alguma coisa, muitas vezes até de ser aquilo que não somos, por isso nos metemos em situações bizarras, muitas vezes até constrangedoras. Logicamente que essa situação de constrangimento nem é percebida pelo agente da questão, mas fica nítida àqueles que o rodeiam. Ultimamente eu tenho tentado ser esse “ser que rodeia” o agente do constrangimento e não tem sido difícil perceber vários momentos engraçados envolvendo indivíduos que tentam se mostrar, ser algo que não são, ou simplesmente possuir uma devida importância que não tem.

         Para falar dessa necessidade de ser alguma coisa, volto aqui a tratar do atual momento de transformações que vivemos, dentro da atual desconstrução humana podemos perceber que o homem vem perdendo sua própria identidade, hoje o importante não é ser você mesmo, ou eu mesmo, um cara chato, gordo, que mora numa cidadezinha do interior, o importante é ser, ou melhor, tentar ser, como o garoto sarado do seriado da tarde, ou o indiano rico da novela das oito. Para isso existe um escape incrível que os meios de comunicação em conjunto com o mundo capitalista inventaram, se você não é, basta parecer ser, a partir dessa sacada criou-se mais um campo de consumo, bom para quem vende, bom para quem cria o modelo de ser, a TV, ruim só para nós, mas quem se importa com isso?

         Sem identidade própria o homem adota uma persona que não estava no leque de suas próprias personas e a coloca como sendo sua verdadeira e única. A partir daí temos situações que para quem vê de fora tornam-se engraçadas, apesar de serem trágicas.

         Além dessa linha de ser aquilo que não é, nos deparamos também com outro mote bem interessante que representa bem essa necessidade de ser algo. Eu sou aquilo que quem está próximo de mim é. As construções frasais desse texto estão um tanto quanto complicadas, mas o assunto pede isso. A minha importância é proporcional a do cidadão que eu acompanho de perto, ou que me deu bom dia, ou que me cumprimentou na rua, o “eu” tão exacerbado nos últimos tempos, acaba perdendo importância, o que vale mais é me parecer com alguém.

         Só para exemplificar um pouco. Vários movimentos principalmente ligados à fase infanto-juvenil (mais propícia a ações externas de mídia), nascem justamente dessa necessidade de parecer alguma coisa que não se é. Mas, essa situação não está presa apenas essa fase da vida humana. Como disse no inicio do texto venho praticando a ação da observação há algum tempo e tenho percebido que essa necessidade de parecer algo importante atinge a todas as fases etárias do homem.

         Levando em conta, por exemplo, a questão de ser aquilo que quem está próximo de mim é, coloco aqui um exemplo claro disso. Pessoas simples que ao serem cumprimentadas por alguma liderança seja política, clerical ou até mesmo alguma figura de importância em determinado local, se vêem tão importantes como aqueles que o cumprimentaram, a alegria de se sentir assim é visível em seus rostos, sou importante porque o prefeito, o padre, o fazendeiro, me cumprimentou, ele pode até não exprimir isso em palavras, mas seu sentimento é esse. Em um primeiro momento pode até ser cômico presenciar situações como essas, mas após uma análise mais profunda percebemos que na verdade é trágico. A identidade humana está se perdendo, não tenho mais orgulho de ser o que sou, quero sempre ser o que o fulano é, perdendo minha identidade perco o meu ser, sem ser o que resta pra mim?

         Identidades estão sendo perdidas, a ruralidade está em cheque. Hoje o menino da roça que brincava na terra, que subia em árvores, que construía seus próprios brinquedos é minoria, a internet a rádio atingiu sua casa, os “ratshuo” da vida estão diariamente em sua TV 29 polegadas tela plana, para que sair no terreiro de casa para brincar se o computador oferece para ele uma série de jogos que representam grandes cidades do mundo, através desses jogos ele pode ser um membro de um gangue em Los Angeles, pode ser um guitarrista famoso, um grande jogador de futebol, mesmo morando no Fundão dos Cardosos, no Cambuí, no São Bartolomeu. Está se perdendo a identidade interiorana, a correria faz o homem pacato se tornar escravo do tempo, o homem de fala mansa nem fala mais, temos que ser como aqueles que correm nas grandes capitais, temos necessidade de ser assim, e mesmo aqueles que tentam ir na contramão são atropelados por todos os outros que correm na mesma direção.

         Estamos nos tornando um bloco uno e mal sabemos ainda o quando isso será prejudicial e destruidor para toda a sociedade.

         Não sei se me fiz entender nesse texto, mas gostaria de que vocês companheiros pudessem analisar tal situação comigo, agradeço a vocês por ainda terem a paciência de ler este blog e de pensar com o tininho. Forte abraço a todos.



Escrito por tininho10 às 10h23
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A VOLTA !!!

Bem meus amigos, após um longo e tenebroso inverno com duração de praticamente 1 ano, sem postar absolutamente nada aqui nesse blog, volto agora para tentar mais uma vez escrever constantemente. Sei que essa não é a primeira vez que volto com esse pensamento e por diversos motivos, que não cabem ser comentados aqui, acabo me afastando mais uma vez. No entanto, a tentativa agora será ainda maior, podem ter certeza disso, agradeço a vocês que ainda se interessam por algo que escrevo aqui. Forte abraço a todos e peço a vocês, por favor, pensem com o tininho!!!!!!



Escrito por tininho10 às 10h25
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A Desumanização do homem:

            Ultimamente tenho lido e estudado sobre esse assunto que é estrutural para entendermos o que vem ocorrendo em nossa sociedade atualmente. Em um primeiro momento parece ser um tanto quanto paradoxal dizer que o homem pode ser desumanizado, no entanto, essa questão é uma realidade nos dias atuais e podemos perceber que, em termos estruturais, essa desumanização do homem é a base do atual momento de caos em que vivemos, em todos os âmbitos dessa sociedade moderna capenga.

            Falando em primeiro lugar do momento histórico que vivemos, ainda denominado moderno, podemos perceber que suas bases, suas colunas de sustentação estão mais do que ruídas, passamos então por uma transição de eras, já se fala muito na pós modernidade e inclusive surgem várias características atribuídas a essa propensa nova era histórica que na verdade não passa ainda de um momento de caos comum em todos os momentos de transições na história da humanidade, é justamente um momento onde as características de uma era atual se misturam com a era que ainda está por vir, por isso não há como caracterizar ainda as características distintas do período pós moderno, até porque ainda não o vivemos. O que podemos perceber é que a tríade basilar do período moderno está caindo, família, Igreja e escola (educação), claro que essas três instituições ainda existem, mas a configuração moderna dessas instituições já estão ultrapassadas, salvo ainda a Igreja que permanece na medida do possível com suas bases.

            A grande questão é que as instituições citadas não são organismos vivos que determinam seus caminhos por si só, portanto, não haveria como suas estruturas serem transformadas se não houvesse uma ação humana por detrás delas. As transformações históricas possuem algo em comum, a ação humana, somente o homem pode transformar o rumo da história, mesmo que seja apenas um homem controlando uma multidão. Pois bem, podemos perceber então que as mudanças que nos levam ao caos moderno atual tem como origem a mudança de percepções e ações do próprio homem com o passar dos anos, a visão em relação as instituições modernas foram tomando outros rumos, o homem começou a perceber a realidade de maneira diferente e passou a construir um novo tempo.

            Claro que nada é imparcial ou obra do acaso, existem forças, movimentos, que podem dirigir os homens àquilo que se acredite ser o melhor, ou até mesmo o melhor para determinado organismo. Sabemos que a propaganda ganhou uma importância tremenda a partir da segunda metade do século XX, a utilização dela passou a ser um instrumento de grande poder nas mãos de setores que perceberam que a utilização desse meio poderia determinar o futuro da humanidade.

            Colocado isso, claro que em vias muito gerais e resumidas devido ao espaço, entramos então na questão central, a desumanização do homem. O ser humano possui, ou possuía, características que o determinavam como humano, devemos levar em conta que dentre essas características algumas são atemporais, outras são relacionadas aos homens de acordo com momentos históricos, mas esse momento que vivemos é diferenciado dos demais momentos históricos porque ele mexe diretamente com essas características atemporais que ainda não haviam sido tocadas nos demais momentos de transições históricas.

            Uma característica atemporal e natural do homem é viver em sociedade. O homem por natureza não consegue viver só, mas o que vemos nos últimos tempos é justamente a individualização do ser, cada vez mais o homem se torna só, muitas vezes mesmo estando dentro de grandes concentrações humanas. O individualismo exacerbado vem transformando nossa sociedade, o “eu” está cada vez mais em voga frente ao “nós”, o conceito de coletividade não é mais levado em conta, não é sequer entendido por muitos indivíduos. Até mesmo a palavra indivíduo que nos remete à individualidade, a solidão, nunca foi tão utilizada como nos últimos tempos. É interessante percebermos que a sociedade moderna se quebra ao pregar justamente o individualismo, com a ascensão do individualismo o conceito de sociedade se perde, ou seja, a sociedade moderna está se auto destruindo.

            Outra característica atemporal é a da afetividade. Mesmo estando ligada a questão do viver em sociedade, a afetividade vai além. Aqui não entra em discussão orientação sexual, mas sim a afetividade que se tem com outrem, seja membro da própria espécie ou até mesmo de outras espécies, ou seja, animais ditos domésticos. A afetividade vem perdendo espaço nesse mundo de disputas, o seu próximo (ser humano), não é mais visto como próximo, mas sim como adversário, não se tem mais tempo para perder com afetividades, para que animais de estimação? Para que ter afetividade com família? O amor ao capital é maior, a afetividade ao inanimado transcende ao humano, quebrando assim a própria ação natural humana.

            Sem me estender muito quero tratar aqui apenas mais uma característica atemporal do homem que vem sendo atacada e quebrada no atual momento, o pensamento futuro, a ação de atuar no presente com o pensamento no futuro. Atualmente o bem estar no presente é visto como melhor escolha do que a própria vida no futuro. Todas as ações humanas atualmente tem como princípio estabelecer um bem estar automático, imediato, mesmo que isso possa ser extremamente prejudicial a gerações posteriores ou até mesmo ao próprio ser daqui um pequeno intervalo de tempo.

            Em suma, o homem vem sendo sistematicamente desumanizado e o pior, nem sequer percebe o que está ocorrendo, a grande batalha que deve ser travada é a de mostrar a maioria da população o que vem ocorrendo e buscar manter o resto de humanidade que ainda resta.

            Peço a vocês companheiros que comentem esse post, criticando-o, concordando ou não com o mesmo. Abraços a vocês e espero que consiga escrever frequentemente aqui. Até mais.



Escrito por tininho10 às 10h24
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A ATUAL SITUAÇÃO POLÍTICA NA AMÉRICA DO SUL

            Meus colegas volto aqui a tratar sobre o atual momento político em que passa a América Latina, principalmente nossa América do Sul. Mesmo levando em conta que os ânimos se acalmaram lá pelos lados do Equador, Colômbia e Venezuela, volto aqui a destacar alguns pontos fundamentais para debatermos e entendermos um pouco mais sobre essa questão complicada que é hoje a política sul-americana, ainda mais nesse contexto atual de iminente conflito bélico.

            Primeiramente gostaria de agradecer aqueles que comentaram os últimos textos, é justamente isso que esse blog procura, a participação de todos, espero ainda que mais leitores possam expressar suas visões aqui nesse espaço. Levando em conta os últimos comentários do Gustavo e do Totô resolvi continuar escrevendo sobre esse assunto. E será utilizando as colocações do companheiro Totô que construirei o texto a seguir.

 

1º Aproximação Chávez – Farc: É notório que Hugo Chávez possui um relacionamento diferenciado com as Farc, é preciso dizer que Chávez teve apoio das Forças Revolucionárias da Colômbia tanto na sua tentativa de golpe em 1993 como em sua eleição em 1998. Na verdade não existe atualmente uma aproximação entre Chávez e as Farc, existe sim uma ligação já consolidada entre ambas as partes. É muita inocência acreditar que as Farc liberaram sem receber nada em troca as reféns colombianas resgatas por forças do Exército Venezuelano com a intervenção direta de Chávez. Vocês acreditam que alguém que seqüestra e mantém por cinco anos pessoas consideradas importantes dentro de uma sociedade poderia entrega-las depois desse tempo todo sem receber nada em troca? Acredito que Chávez deva ter compensado economicamente e talvez até belicamente as Farc. Há indícios até que Chávez venha “ajudando” os guerrilheiros constantemente, justificando assim não uma aproximação, mas sim uma ligação direta entre Chávez e Farc. Aqui cabe dizer que Hugo Chávez possui uma certa admiração pelas guerrilhas, em sua formação militar ele chegou a combater uma guerrilha comunista venezuelana nos anos 70, a guerrilha era liderada por Douglas Bravo, foi justamente nesse momento, lutando contra a guerrilha, que Chávez teve contato com o povo venezuelano e percebeu que muitos se juntavam a guerrilha de Bravo por buscar novos rumos para o país. A partir de então Chávez se aliou a uma vertente militar venezuelana de esquerda e chegou a se juntar com Bravo ainda nos anos 80. Em 1993 tentou um golpe militar se utilizando de algumas táticas de guerrilha em alguns Quartéis, não foi bem sucedido e acabou preso, em 1998 foi eleito presidente e se mantém no poder até os dias atuais. Dentro da sua revolução bolivariana, Chávez também busca criar uma imagem de guerrilheiro revolucionário para Simon Bolívar, não estou aqui dizendo que Bolívar não combateu nos processos de independência que participou, mas o caráter de guerrilheiro revolucionário não cabe a Simon Bolívar, a união americana buscada por ele, o combate contra a Coroa Espanhola, a luta para independência de países como Bolívia, Peru e Venezuela, aconteceram porque Bolívar defendia a sua classe, os chamados criollos, ricos descendentes de espanhóis que não possuíam poder político, mas possuíam o poder econômico, Bolívar buscava tomar poder político, mas queria manter o poder econômico de sua classe. Essa imagem de que Bolívar foi um revolucionário popular desenhada por Chávez não é real, os fatores contidos nessa construção chavista, de revolução e guerrilha, comprovam seu gosto por tais ações e esse certo gosto pela guerrilha “revolucionária” também é um motivador para essa ligação entre Chávez e as Farcs.

 

2º A ação equatoriana: Entendo perfeitamente a estranheza com qual o colega Totô encarou a ação equatoriana de condenar veementemente a invasão colombiana (com uma certa razão), e de se calar frente à invasão das Farc. No texto anterior cheguei até a escrever sobre a questão do gato e do rato, em uma perseguição ambos entram em sua casa, de quem é a culpa? Do rato ou do gato? Pois bem, aqui cabe lembrar que Rafael Correa foi eleito também com uma forte ajude de Chávez, sendo assim deve seguir alguns rumos ditados pelo líder venezuelano. Não tenho dúvida de que as reclamações equatorianas possuem uma certa razão, o Exército Colombiano ao invadir território equatoriano desrespeitou a inviolabilidade territorial desse país, no entanto é bom lembrar que as Farc também haviam feito o mesmo e a menos que o governo equatoriano tenha liberado a entrada para os guerrilheiros (o que constataria uma ação no mínimo irresponsável),estes também estavam de maneira clandestina e ilegal dentro do território equatoriano. Acredito até que uma das circunstancias que foram responsáveis por amenizar essa questão foi justamente a dificuldade do governo equatoriano em explicar porque e como as Farc haviam conseguido entrar tranqüilamente em seu território e principalmente porque o governo não se importava tanto com esse acontecimento. O presidente Correa chegou a culpas as fronteiras que são difíceis de ser fiscalizadas e até sugeriu que poderia existir focos e acampamentos da guerrilha em território brasileiro. O presidente realmente tem razão quando trata do assunto das fronteiras, principalmente aquelas que se encontram em áreas de florestas densas, no caso brasileiro praticamente não há como fiscalizar regiões fronteiriças com a Colômbia, com a Bolívia, Venezuela, por conta da floresta amazônica, mas isso não tira do Estado a obrigatoriedade de manter seu território, de proteger seu território, sendo assim, se nem mesmo o Estado responsável por manter seu território protegido pode praticar essa ação com segurança, como então criticar tão veementemente um exército que adentrou o território em um local de difícil localização? Possuímos hoje instrumentos que nos dão o posicionamento real, é claro que o exército colombiano tinha noção de onde estava, mas aqui o que eu digo é, se o próprio Estado não pratica ações específicas para manter suas fronteiras protegidas, não há como gritar e reclamar que está sendo invadido. É como deixar o carro com as portas abertas a noite no Capão Redondo em São Paulo e depois sair gritando que teve seu carro roubado. Enfim, o governo equatoriano está dentro de sua razão, mas digamos que não seria de bom tom manter essa pendenga para ambas as partes.

continua...



Escrito por tininho10 às 10h27
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continuação...

 

3º Aliança Farc – Equador – Venezuela: Aqui entramos em um assunto difícil e pouco tratado, principalmente por ser algo complexo e por demais perigoso. Há sem sombra de dúvidas uma aliança, até mesmo institucional, entre o MVR (Movimento Quinta República), partido de Hugo Chávez, o PAIS (Pátria Ativa i Soberana), partido de Rafael Correa e as Farc, os três participam do Foro de São Paulo grupo que reúne todos os partido e grupos ditos de esquerda da América Latina, foi criado em 1990 por Lula e por Fidel Castro. Esse grupo nasceu com o intuito de manter viva a chama comunista no pós-queda do muro de Berlim, além de ser um órgão onde se procurava unir forças para a ascensão da esquerda na América Latina. Há quem diga que o Foro de São Paulo foi criado dentro de uma situação maior de revolução pacífica que vem sendo aplicada em todo mundo com destaque para a América Latina. Um defensor ferrenho dessa idéia é o filósofo e professor Olavo de Carvalho, brasileiro, hoje mora nos EUA, é um conservador e defende o ideário de direita, segundo ele o Foro de São Paulo é o principal responsável pela onda vermelha na América Latina, onde a maioria dos países são hoje governados por políticos ditos de esquerda, e até mesmo em países onde ainda não controlam o poder estão sempre em destaque na política. Hoje grupos chamados de esquerda estão no poder em países como Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Equador, Venezuela, Nicarágua, Guatemala, Cuba, Bolívia, além de ter grande importância em países como Peru, México e até mesmo Colômbia. Essa ligação institucional entre os partidos de governo e as Farc dentro do Foro de São Paulo provocam no mínimo uma desconfiança a respeito dessas ações. Dentro do Foro há a necessidade de apoio, proteção, ajuda e defesa mútua entre os componentes, sendo assim, seguindo o regimento do Foro as Farc devem proteger e ser protegidas pelo PT, como o PT não possui braço armado pode-se acreditar que uma vez no controle, no governo do país, o PT cumpra essa norma do Foro se utilizando das Forças Armadas Brasileiras. Acredito até que isso não ocorra no Brasil, principalmente porque aqui a instituição política apesar de corrupta ainda consegue se manter em um equilíbrio havendo uma oposição consolidada, mas em países como Venezuela e Equador onde praticamente a oposição está calada essa ação é totalmente presumível. Por isso acredito que em favor de uma dominação de uma pseudo esquerda, ainda veremos sim um confronto bélico em nosso continente, possivelmente envolvendo Venezuela e com grandes chances de ser contra Colômbia.

 

4º FARCs: Revolucionários – Terroristas: Aqui entramos em uma discussão que na verdade seria necessário um post inteiro para tratarmos, mas já que estamos debatendo este assunto acho interessante me posicionar frente a essa colocação também feita pelo parceiro Totô. Indubitavelmente as FARC nasceram com um cunho totalmente revolucionário, se espelharam na Revolução Cubana e partiram então para a mata colombiana buscando assim ganhar força entre os camponeses e a partir daí conseguirem a vitória chegando então ao poder. No entanto, o governo colombiano conseguiu através de ações diretas e muitas delas sangrentas manter esses focos revolucionários dentro das zonas florestais impedindo assim a expansão da guerrilha, não praticando o erro de Batista em Cuba, que não deu o devido respeito e preocupação em relação a guerrilha cubana, perdendo posteriormente seu posto. O grande ponto aí é que, não podendo expandir sua ação os guerrilheiros começaram a ter dificuldades, suas ações dependiam de efetivo humano, mas também de recursos econômicos. Daí entramos em uma situação que divide as opiniões até os dias atuais. Para alguns a partir dessa situação as Farc rumaram para o crime de fato, o contrabando de produtos ilícitos, drogas, sendo assim as Farc teriam entrado no mercado do narcotráfico e vendo que esse mercado era altamente lucrativo se estabeleceu nessa prática se esquecendo assim de suas bases revolucionárias. Para aqueles que defendem ainda as Farc a situação não foi bem essa. As Farc necessitando de bens para manter a guerrilha começou então uma ação de crimes contra o Estado que os próprios pretendem derrubar, esses crimes são principalmente os seqüestros, assaltos a bancos e a cobrança a narcotraficantes que utilizam áreas controladas pelas Farc. Sendo assim as Farc não seriam diretamente narcotraficantes, mas sim apenas cobrariam desses narcotraficantes para que os mesmos pudessem utilizar de áreas dominadas por seus guerrilheiros. Pois bem, para mim, não vender, não beneficiar, não traficar diretamente, não faz com que as Farc deixem de ser narcotraficantes. O simples fato de beneficiar a ação daqueles que assim o fazem em troca de dinheiro já os colocam na posição de narcotraficantes, ao menos indiretos. E aqui para mim não cabe a desculpa que essa ação é em favor da Revolução. Em favor de Revoluções mentirosas milhões de pessoas foram mortas na URSS pelo stalinismo, na China por Mao Tse Tung, no Camboja por Pol Pot. Cabe a cada um se posicionar frente a essa situação analisando os pontos de vista apresentados.

 

            O texto ficou um tanto quanto extenso, paro aqui para não cansar aqueles que por ventura tiverem a curiosidade e o interesse de lê-lo inteiramente. Em breve volto a escrever mais sobre o assunto, comentem, escrevam, participem, PENSECOMTININHO.

Escrito por tininho10 às 10h25
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Equador (Venezuela) x Colômbia

            Estamos a beira de um conflito armado em nosso continente, para aqueles que sempre imaginam guerras como algo distante, segurem em suas cadeiras porque bombardeios e ataques militares poderão acontecer em breve entre países vizinhos.

            Nesse último final de semana presenciamos um acontecimento que causou de imediato um conflito diplomático entre Equador e Colômbia, e que poderá causar problemas maiores. O presidente Rafael Correa, equatoriano, ordenou a volta imediata de seu embaixador de Bogotá ao mesmo tempo em que expulsou de Quito o embaixador colombiano. No momento não há representação política oficial equatoriana na Colômbia nem colombiana no Equador e esse é o primeiro passo para que se inicie um conflito de proporções maiores.

            Muito bem, por que se deu toda essa desconstrução diplomática? Simples. Forças do exército colombiano treinadas pelos marines estadunidenses invadiram o território equatoriano (sem permissão prévia), para atacar um grupo das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), onde se encontrava Raúl Reyes um dos principais líderes das FARC, o exército colombiano, em território equatoriano, matou tanto Raúl Reyes como mais 16 militantes das FARC. Essa ação motivou não só a quebra diplomática entre Equador e Colômbia como também uma movimentação militar venezuelana na fronteira desse país com a Colômbia.

            Como propõe o nome do blog, vamos pensar meus caros amigos. O presidente Correa tomou uma decisão rápida e enérgica contra o governo colombiano por este ter, através de seu braço militar, invadido seu território. Pois bem, sem dúvida que essa ação colombiana fere a primissa da inviolabilidade territorial de um Estado – Nação. No entanto devemos lembrar que o exército colombiano não foi o primeiro a invadir território alheio. Vejam só, imaginemos que um gato esteja em uma caçada alucinante, na sua frente corre um rato, sem ter muitas opções esse rato entra em sua cozinha, atrás vem o gato, que logicamente não para sua caçada somente porque o rato adentrou a casa, agora lhes pergunto, quem invadiu primeiro a casa? O gato ou o rato? O gato ataca e devora o rato dentro de sua sala, a culpa do ocorrido é de quem? Do gato, do rato ou de ambos? Quem invadiu sua casa? Não foram os dois?

            Levando em conta que as Farc são hoje um Estado dentro do Estado colombiano, possuindo inclusive corpo burocrático, as regras imposta sobre o Estado colombiano deveriam, ao meu ver, também ser imposta sobre o “Estado farcsta”.

            Não entrarei aqui no mérito do assunto que envolve a luta entre exército colombiano e as FARC, esse assunto até poderá ser tratado em outro post futuro, mas quero aqui colocar em discussão algo maior, mesmo levando em conta a inviolabilidade territorial de uma nação, mesmo considerando a soberania nacional sobre seu território, esse acontecimento pode ser considerado grave a ponto de desencadear uma “guerra” ? Não seria esse episódio um motivo já desejado há tempos por Correa e Chávez para um conflito contra o “filhotinho do imperialismo” Colômbia? Aqui faço mais uma colocação, todo o imbróglio envolve sobretudo dois países, Equador (que teve seu território invadido) e Colômbia (quem invadiu), como então explicar as movimentações militares venezuelanas na fronteira entre Venezuela e Colômbia? O que Hugo Chávez tem haver com essa pendenga?

            São várias perguntas que pairam despercebidas por uma situação já anunciada há tempos. Nós presenciamos aqui em nosso continente um tipo de governo que para muitos já estava superado, o governo de tendências populistas. O presidente venezuelano que se encontra no poder a 10 anos é um exemplo claro desse tipo de governo que se sustenta proporcionando à população um falso sentimento de proteção, de melhorias, de “desenvolvimento”. Uma coisa é certa, Hugo Rafael Chávez Frias é um habilidoso político, muito inteligente e perspicaz. Ele conseguiu enxergar que o símbolo da esquerda latino-americana estava caminhando para seu fim e que esse lugar ficaria vago em breve, uniu então o discurso de esquerda com ações populistas, ascendeu ao poder e após de posse do poder elegeu um inimigo (característica de um governo populista) esse inimigo demonizado e eleito por Chavéz foi os EUA e todos seus apoiadores, está certo que ele não precisou se esforçar muito para demonizar esse inimigo, as ações claramente imperialistas estadunidenses ajudaram para que Chávez pudesse popularizar a visão de inimigo em relação aos EUA sobre seus militantes venezuelanos. Mas, porque tratar de Chávez aqui? Foi no bojo desse governo, que mescla esquerdismo e populismo, que Rafael Correa se elegeu ano passado presidente do Equador e é seguindo o mesmo exemplo de Chávez que ele tenta consolidar seu governo. O inimigo é o mesmo, o imperialismo estadunidense que já atingiu a vizinha Colômbia, segundo esses “revolucionários bolivarianos”.

            Pois bem, como já disse, todo o governo de tendências populistas necessita de um inimigo que legitime toda a ação totalitária de seu mandatário. Na Venezuela, por exemplo Chávez conseguiu que o Congresso aprovasse a “Lei Habilitante” que lhe dava, por um determinado tempo, poderes especiais e totais sobre o país, qualquer decisão do presidente poderia ser aprovada sem a consulta ao Congresso, o presidente se tornava assim um soberano indelével. Qual a justificativa de Chávez para tal lei? Combater as forças do mal, as forças do imperialismo que cercam a Venezuela. Rafael Correa se vê atualmente em uma luta para redigir e aprovar uma nova constituição no Equador, essa nova lei magna daria a ele, por exemplo, a chance de se reeleger quantas vezes quisesse (Chávez já conseguiu isso na Venezuela), além de aumentar o mandato presidencial de quatro para sete anos. Qual é o argumento de Correa para redigir e aprovar uma nova constituição? Os EUA apóiam uma oligarquia agrária equatoriana que pretende tira-lo da presidência, por isso deve-se dar todo poder a ele para que vençam essa situação.

            Tanto Chávez quanto Correa estão certos ao dizerem que os EUA os perseguem e que gostariam muito de vê-los fora da presidência de seus respectivos países, até acredito que os EUA possam realmente apoiar setores oligárquicos no Equador e burgueses na Venezuela para derrubarem seus governantes, mas isso não é motivo para que as sociedades equatoriana e venezuelana concedam poderes totais aos seus governantes. A democracia ainda é o melhor regime a se seguir mesmo levando em conta a frase de Winston Churchill “...a democracia é o pior regime que existe, com a exceção de todos os outros...”. Sendo assim não há justificativa cabível para um regime populista autoritário.

            No entanto o assunto em questão é o imbróglio entre Equador e Colômbia. É bom destacar que os governos de tendência populista também se desgastam, é necessário sempre renovar no imaginário da população a presença prejudicial de um inimigo e não há situação mais prejudicial a uma nação do que uma guerra. Com o afastamento de Fidel Castro do cargo de Chefe do Comando de Estado de Cuba, Chávez se sente hoje, ainda mais, o “líder da esquerda na América Latina”, após qualquer ascensão, seja política, social, econômica, o indivíduo busca mostrar ainda mais seus “serviços”, busca comprovar o merecimento por tal ascensão. Uma guerra envolvendo Venezuela e Equador contra a Colômbia apoiada pelos EUA seria um grande serviço prestado a população bolivariana, aplicar uma derrota ao filhote do imperialismo na América do Sul, ferir o demônio EUA é sem dúvida um avanço nas lutas revolucionárias. Quem não apoiaria mais um mandato para aqueles que derrotaram os EUA militarmente? Mesmo que essa derrota não tenha ocorrido diretamente pelo Estado estadunidense, mas sim por um país que recebe suporte militar dos EUA.

            Em suma meus queridos, vejo que acima de qualquer situação de proteção territorial, de violação ao Estado equatoriano, está a permanência de Chávez e de Correa no poder, não só suas permanências, mas também o acesso de ambos a maiores poderes. Vejo que principalmente o governo chavista caminha para um esvaziamento, sendo assim Chávez necessita de uma sobrevida, de algo que lhe dê novamente um sopro popular.

            Coloco aqui então em debate essa situação, gostaria muito que vocês opinassem sobre o assunto, leiam, reflitam e principalmente PENSE COM TININHO.

Escrito por tininho10 às 12h45
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A VOLTA - A QUEDA DE FIDEL

Depois de um bom tempo sem escrever volto a atualizar o blog.

Fiquei sem escrever, em um primeiro momento, para me dedicar ao Trabalho de Conclusão de Curso que tive que entregar no final do ano passado, que diga-se de passagem foi aprovado, em um segundo momento por várias atividades que me tomaram tempo demais tanto fisicamente como psicologicamente (preocupações).

Mas, volto agora disposto a escrever com mais assiduidade aqui no blog.

 

                Volto também porque nessa última semana presenciamos um acontecimento histórico, o comandante Fidel Castro deixou o posto de Comandante em Chefe. Como esse acontecimento está dentro da área que me dedico e que principalmente gosto muito de analisar, aqui vai alguns comentários sobre “a queda” de Fidel Castro.

Em primeiro lugar gostaria de deixar claro que, ao contrário do que foi noticiado pela grande imprensa, Fidel Castro não renunciou ao cargo de Chefe do Conselho de Estado de Cuba, ele apenas se retirou da disputa que ocorreu no último domingo. Fidel estava afastado do cargo por motivo de saúde, ou melhor, falta de saúde, recentemente ele e seu irmão foram reeleitos como parlamentares para um mandato de cinco anos na Assembléia cubana, no último domingo houve a eleição para os principais cargos de chefia da burocracia comunista cubana, inclusive o de Chefe do Conselho de Estado que equivaleria ao cargo de presidente. Na semana passada Fidel Castro em comunicado oficial declarou que não aceitaria o cargo de Chefe de Estado se eleito fosse, sendo assim abriu caminho para que seu irmão Raúl Castro vencesse as eleições do último domingo.

Pois bem, sendo assim Fidel Castro ainda faz parte do parlamento cubano, mas agora não possui nenhum cargo de destaque. A grande discussão colocada em voga nesse momento é: Cuba continuará com a linha política e principalmente econômica que Fidel manteve por todos esses anos? As opiniões se dividem seguindo principalmente as tendências políticas defendidas por cada um. O grande ponto é, Cuba consegue sobreviver a esse modelo comunista mantido a duras penas por Fidel, sem Fidel? E ainda mais, Raúl Castro estaria disposto a continuar com esse modelo na Ilha?

Cuba passa por sérios problemas econômicos desde que a U.R.S.S. desapareceu. Em meados dos anos 90 chegou a beirar um colapso econômico. No entanto, Fidel manteve a política de fechamento da economia e da política cubana. Já no início desde século a Venezuela de Chávez apareceu como um “milagre divino” para equilibrar a economia cubana que já havia feito concessões para sobreviver. A abertura a utilização do dólar na Ilha, aos investimento espanhóis no turismo e até mesmo a investimentos brasileiros na área de mineração em troca de créditos alimentícios, são exemplos de uma abertura muito pequena, restrita, mais necessária para a sobrevivência de Cuba.

                                          

Raúl Castro, desde o colapso soviético, mostrou-se aberto a discussões que pudessem levar Cuba a por em prática o modelo chinês, ou seja, uma abertura econômica, mas com a manutenção da força política. No poder agora, Raúl é visto como uma das poucas possibilidades de mudança no rumo político e econômico cubano. Há quem aposte na abertura econômica apenas ao grande capital estrangeiro, mantendo o fechamento aos cubanos. Isso é perfeitamente compreensível já que abrindo a economia a população cubana dá-se a chance do surgimento de uma burguesia que por sua vez formaria uma oposição ao politburo cubano, colocando em cheque o poder do Partido Comunista Cubano. Mas, há quem acredite que nada se alterará no governo de Raúl Castro e sendo assim a velha Ilha permanecerá como está.

Acredito que frente aos últimos acontecimentos Cuba necessita de alguma transformação. O capital social cubano está se desfazendo, um dos grandes problemas cubanos atualmente é o déficit de moradias, a frota de veículos tem 50 anos, a educação e a saúde são de ponta, mas não há um investimento para que a sociedade se sinta bem vivendo em Cuba. A garantia de estudos até a faculdade é de responsabilidade do Estado e ele a cumpre, no entanto a oferta de empregos qualificados não suporta a demanda de formandos. Todos esses problemas vem sendo empurrados com a barriga pela burocracia governante em Cuba. Sinceramente gostaria muito de ver algumas mudanças efetivas no modelo aplicado na Ilha, acredito que uma abertura total e excludente como o feita na China, no Vietnã, não é o melhor caminho, mas a possibilidade de um meio termo, uma abertura controlada de perto pelo Estado, conduzida de uma maneira que beneficie toda a população por igual seria um bom caminho.

No momento, temos uma mudança que pode significar muito pouco para alguns, nem ao mesmo o nome se alterou, o governo cubano continua na mão de um Castro, no entanto, acredito que essa mudança possa representar um marco na história dessa Ilha, que mesmo passando por caminhos e descaminhos resistiu e ainda resiste ao imperialismo que há tempos muito já sucumbiram.

                                                                                  



Escrito por tininho10 às 09h56
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A questão virtual nos distúrbios sociais:

            Saindo um pouco do viés político resolvi tratar de um assunto que considero interessante e importante dentro das discussões sociais da atualidade.

Vivemos atualmente em um mundo onde a interatividade alcança um patamar jamais visto e tende a crescer cada vez mais, se há cinqüenta anos atrás a comunicação era difícil, os meios de informação eram escassos e demorados, o acesso a informações era extremamente restrito e a dificuldade de locomoção era grande, hoje vivemos em um verdadeiro mar de mídias, o acesso a informação se tornou universal, todos os indivíduos possuem meios para se informar, seja esse meio televisivo, radiofônico, impresso ou virtual, além de obter também condições de locomoção em um campo muito superior em relação ao de meados do século passado. Nesses últimos cinqüenta anos os avanços tecnológicos empurraram a sociedade a se tornar cada vez mais uma sociedade no sentido puro da palavra, claro que essa tecnologia também afastou e delimitou o campo de ação de cada classe que compõe a sociedade atual, mas a formação dessa sociedade está intrinsecamente ligada as questões do avanço e do conhecimento midiático.

Dentro dessa questão vamos nos debruçar principalmente sobre o avanço da questão virtual, cibernética, que sofreu nos últimos dez anos um avanço assustador que vem provocando mutações sérias e de grande intensidade em nossa sociedade. O crescimento de internautas é substancial, a cada dia o número de pessoas ligadas na grande rede aumenta, e se a ligação interpessoal perde importância em nossa sociedade individualista, a necessidade humana de “viver em sociedade” é despejada sobre o mundo virtual, um submundo, um mundo existente praticamente fora do mundo “real”. Dentro do mundo virtual você pode possuir, ou melhor, assumir perfeitamente uma nova identidade, conhecer novos amigos, fazer parte de grupos que na vida real jamais entraria, conhecer lugares, situações, que em seu personagem real humano sequer pensaria em conhecer, esse mundo virtual passa a ser para muitos uma válvula de escape para suas frustrações sociais, nesse novo mundo não há leis tão rígidas quanto o mundo “real”, além disso, todos estão protegidos pela armadura fria da distância pessoal, o fazer parte, o estar em, o conhecer, não necessitam mais da ação corporal, física, portanto eu posso muito bem fazer parte de um grupo onde nenhum dos meus companheiros me conheçam realmente e ali me submeter a diversos tipos de ações condenáveis pela sociedade real sem sofrer qualquer tipo de punição por tal ato, já que quem pratica esses atos é um ser virtual, portanto incapaz de sofrer qualquer punição real, punições essas que são em sua maioria de ordem física.

Escrito por tininho10 às 07h19
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